Há tempos ele trabalhava lá. Chegava todos os dias no mesmo horário. Sempre pontual. Tinha nome de famoso e coração de gente decente. Quando das sete horas, ia para a portaria. Todos os dias, de segunda a sexta.
Sabia o nome de muitos, fazia muito também. Buscava as bolas que fugiam, consertava goteiras, perfurava paredes, carregava cadeiras, servia lanche, abria as salas.
Estava sempre com um boné na cabeça e um bigode no rosto. Seus olhos emanavam alegria que já não mais podia se manifestar tão bem.
Religiosamente, todos os dias. Via todos os que chegavam. Cumprimentava os que o cumprimentavam. Fizesse frio, chuva, horário de verão ou o que fosse. Ele sempre estava lá.
Seu caminhar era lento, leve. O rosto magro e cheio de rugas de quem já vivera muito. Estava sempre disposto a fazer o que fosse necessário. Suas mãos eram antigas, mas eram hábeis. A idade nunca o banira de manejar furadeiras ou garrafas.
Naquele dia, eu quase cheguei tarde demais para vê-lo. Mas ele estava lá, sentado no banco de madeira envernizado. Com seu boné e as pernas cruzadas.
Durante a vida toda servira àquelas crianças. Àqueles jovens. Àquela escola. Tinha respeito e carinho por todos, e quase sempre aquilo era recíproco.
Desci do carro, subi o degrau, cuprimentei-o. Ele respondeu.
Mais tarde, soube que ele havia decidido ir embora. E foi. Mas tenho certeza de que não será esquecido tão facilmente por todos que ali o viam a cada dia.
Dedicado ao Seu Jesus, o primeiro a me cumprimentar naquele dia.











Ele não decidira partir, mas sim, ele se foi… depois de vinte anos de trabalho.
Poor Mister Jesus! Vai fazer muuita falta!
Assim como você disse, pra mim também ele foi o primeiro a me cumprimentar naquele dia! Aquela escola não vai ser mais a mesma sem o velho de bigodes, sentado no banquinho de madeira, com o boné escrito: “Ser aluno é 10″, e falando BOM DIA para todos e todas que passavam por eles!
=/ é uma pena perde-lo! Que ele vá em paz!