Lá estávamos, eu e minha genitora numa tarde de quinta-feira. Separávamos moedas em montinhos de 50 centavos. Eu pensava no que escrever por aqui, então pedi uma sugestão ao simpático rapaz que nos acompanhava.
-Tiago, me diz uma palavra. Qualquer uma.
Não obtive resposta. Então, resolvi recorrer a minha parceira de atividade.
-Hein, mãe. Me diz uma palavra. Qualquer uma. A que você quiser.
Ela pensou, enquanto pegava a fita adesiva para juntar os montinhos. Já tínhamos uns quinze montinhos de 50 centavos, com moedas de 10 e de cinco centavos. Se virou e disse:
-Eu te amo.
Olhei pra ela e respondi:
-Não, quero uma palavra só.
-Amor.
-Que não seja tão clichê.
Acho que ela ficou de saco cheio por eu não tê-la respondido agradavelmente. Ela teria dito “Eu também já bastava sua feia!” se não estivesse calma. Porém, falou uma palavra que não é clichê. E que eu não esperava.
-Moeda.
Bem, aí está para vocês. Um texto sobre “moeda”.










