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O Diário do Trema

In Diários on 19/02/2009 por lorenalara Etiquetado: , , ,

31-12-08

Caro diário, este é o último dia de minha vida tão esquecida. A partir de amanhã começa a vigorar a reforma ortográfica da lígua portuguesa e eu não mais terei motivos para cá escrever. Sinceramente, acho que esta reforma é uma grande bosta. A língua portugesa devia era diferenciar os países, provar as diferenças culturais e tudo mais. Enfim, nada posso fazer.

Sentirei falta de meus amigos. Cinqüenta, seqüência, bilíngüe, freqüente, liqüidação, seqüela, ambigüidade, lingüiça. Minha vida não foi de muitos amores nem lebranças. Poucos se lembravam de mim nas palavras. Falta eu não fazia.

Aos poucos, os que bem escrevem e conhecem a língua se despedirão de mim. Também sentirei falta destes. Vez ou outra eu aparecerei aqui e ali erroneamente, tenho certeza. É a falta de costume.

Professores de matemática com a língua presa sempre repetirão que sou ultrapassado, assim como todos os livros serão atualizados. É triste ser antigo, diário. Me tornarei a mão que fechava a pasta de dentes na fábrica onde as máquinas agora lacram tudo. Desemprego estrutural.

Sobreviverei aqui e ali por alguns anos, em textos de gente inconformada ou mal adaptada. Aproveitei esta minha última manhã na tarefa de me resguardar às páginas de um Aurélio ou Soares Amora qualquer.

Não quero ficar remoendo-me por algo que não posso modificar. Estou tranqüilo, e sei que quando der meia noite, a partida será indolor. Abraços aos professores de matemática com a língua presa.

Respeitosamente, ¨.

O trema subiu no dicionário de verbos, no topo da estante, e se jogou. Há muito ele estava morto, mas agora, às 12:01, era oficial.

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Reforma ortográfica, Ma oe.

In Cotidiano on 26/01/2009 por lorenalara Etiquetado: , , , ,

Salve Professor Pasquale! E que a reforma ortográfica se exploda por favor!

Em dezembro-janeiro, passei duas semanas com la família em Ubatuba – SP. A viagem foi realmente formidável. Bem, nem tanto. Eu tinha meu computador, mas não tinha a internet. E tinha lan-house ao lado do hotel, mas nem sinal de sinal de rede.

Podem se perguntar o porquê de eu não ter ido para a lan house, e vos explico. Ficar no escuro junto à um monte de macho, num calor dos infernos não é algo tão feliz. Pois bem. Eu até cogitei pagar uma hora de créditos lá, mas não deu.

Daí que depois de acabar com uma Coquetel, uma Rolling Stone e vários folhetos de hotéis, restaurantes, pizzarias, praias, cidades, vasos sanitários, a putaquepariu e etc, eu fiquei completamente entediada e saí em busca de palavras cruzadas. Achei uma Recreativa Edição Especial, e a revista vinha com uma breve explicação sobre a reforma ortográfica.

After some words, eu achei o seguinte item:

“Não se usa mais o acento agudo u no tônico das formas (tu) arguis, (ele) arguis, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.”

WHAT THE HELL IS ARGUIR? Eu não sabia. Aliás, ainda não sei. Vou descobrir agora.

do Lat.  *  arguire ou  aguere

v. tr.,
acusar;
incriminar;
censurar;
objectar;
impugnar;

v. int.,
argumentar.

That’s it.Realmente pensei em algo relacionado à argumento. Redarguir é replicar quem arguiu, é querer dar uma de bonzão e retorquir, replicar, reconvir, recalcitar.

Taí. Essa regra não vale pra mim. Posso contar quantas vezes já utilizei o verbo arguir: nenhuma. E prefiro muito mais argumentar. Meu sotaque de goiana deixa a palavra feiosa: aRguiR.

Sinceramente, é triste olhar para a estante de livros e ver que tudo ali se tornou velho, de repente.

Salve Professor Pasquale! E que a reforma ortográfica se exploda por favor!

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